sábado, 30 de setembro de 2017

Inauguração da tag pseudoreflexão

Todo mundo tem vergonha das coisas que fez quando era mais novo. Algo que já foi seu maior orgulho - um blog, uma fanfic, um fandom, um modo de vestir, uma cor preferida - lentamente se transforma em motivo de vergonha, uma coisa que você esconde, finge que nunca existiu e nega até a morte. (O tipo de coisa que seus amigos adoram encontrar e usar para te mortificar)

Por que isso acontece?
"É só a vida," certo, mas também é um tanto triste. A vida é um tanto triste. E isso não é uma resposta satisfatória.
As pessoas que são sortudas o suficiente para viver estão em constante mudança e crescimento, tanto do ponto de vista físico quanto mental. O mundo em volta muda ao mesmo tempo. Diferentes modas, opiniões, hábitos, músicas. Tudo isso influencia os seres humanos, e tudo isso é descartado com quase a mesma rapidez com que se estabelece. Vejam os cabelos e roupas dos anos 80 e 90. A sociedade estabeleceu que aquele padrão tornou-se inválido, que não é mais considerado bonito ou estiloso, que quem viveu naquela época precisa esconder fotos  para não ser submetido às risadas dos outros, ou precisa ser capaz de rir junto de algo que um dia sobre o que não tinha nenhum controle.
É como rir das roupas do século XVI. As mais recentes são mais engraçadas porque são parecidas mas diferentes o suficiente para parecerem erradas. Ultrapassadas.
Mais dez anos, talvez menos, e vamos rir das roupas de hoje. Talvez eu morra de vergonha de ter achado que pintar meu cabelo de cores fantasia era uma boa ideia. "O que eu tinha na cabeça?" - bem, você tinha 14, 15, 16, 17, 18, 19 anos e certeza de que ia ficar legal pra caramba. Sinto muito pelo futuro no qual rio disso. Sinto muito se um dia vou lembrar de mim mesma como pretensiosa e iludida, fingindo ter garras enquanto defendia uma causa idiota.

Acho meu cabelo colorido legal. O que será que vou achar legal no futuro que atualmente é ridículo? Espero que não sejam pochetes

Talvez eu apenas supere a fase. Adquira maturidade. Essa é possibilidade realista e saudável, e não me preocupo ou ressinto dela. A mudança do eu é acompanhada pela pela mudança das coisas com que se identifica, de estilo próprio. Isso é um fato. Eu sou geminiana, a mutabilidade do ser humano não é nada de inesperado ou assustador para mim.

Não sei se tenho uma conclusão para esse pensamento. Só acho que não deveríamos desprezar nosso passado. Podemos nos tornar pessoas irreconhecíveis, mas podemos respeitar os estranhos que um dia fomos - e uso "estranhos" em todos os sentidos que a palavra oferece.

(you die every night and are reborn at dawn; you are a walking graveyard,
an army of yesterdays’ ghosts, and you no longer remember who you were at the beginning.
do not weep for the stranger that once inhabited your bones. -

poetry for the signs: the “it is okay” edition,
L. Schreiber)

(você morre toda noite e renasce na aurora; você é um cemitério ambulante,
um exército de fantasmas de ontem, e você não lembra mais quem era no
início.
não chore pelo estranho que uma vez habitou seus ossos. -
poesia para os signos: a versão "está tudo bem")

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

febre de Orgulho e Preconceito

Eu assisto Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, uma vez por ano. Não sei se deixo um intervalo tão grande entre as exibições porque preciso de tempo para me recuperar do frenesi que me ataca, ou se fico nesse frenesi por causa do intervalo. O fato é, eu assisti Orgulho e Preconceito de novo duas semanas antes do final das aulas, e passei três semanas inteiras sem conseguir pensar em outra coisa.
Em 2005, Joe Wright lançou uma obra de arte. Sim, eu li o livro, sei que não é uma adaptação perfeita, mas não vejo como isso é relevante levando em conta o fato de que arte. É um daqueles casos mágicos nos quais o livro é arte e o filme também e ambos são lindos de formas vagamente diferentes, suficiente para que sejam únicos em suas intersecções.
Sempre ouvi falar que a adaptação mais fiel era a da minissérie da BBC de 1991 - com exceção da cena do Colin Firth saindo do lago de camisa molhada, da qual ninguém reclama - mas nunca tinha conseguido encontrar para ver. Decidi tomar vergonha na cara e procurar no google, e tcharam, apareceu.

É de fato uma boa versão. Gostei de como eles representam absolutamente todos os eventos do filme. Mas, em matéria de arte, fico com Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright.

"Então o filme é completamente circular. Você começa e termina com o nascer do sol."
Depois de ver a história duas vezes, ainda não era o suficiente. Então eu fui atrás de fanfics. Encontrei várias muito boas e uma apenas genial, em que a história foi transposta para os tempos atuais e a Elizabeth era o Eli e o Darcy era a Darcy. Não consigo achar para colocar aqui, então vou fazer toda uma lista de fanfics boas:
-Kisses (Everytime they kiss, Elizabeth wonders. AU.)
-Superman (This is a tale of missing undershirts and a missing child, and the quest for a tolerable cup of coffee.
-Five Times Fitzwilliam Darcy Shared a Bed With a Woman
-A Most Helpful Hand (When Mr. Darcy comes to Netherfield for a short visit, Mr. and Mrs. Bingley think it wise to mind his comfort and, of course, Elizabeth's.)
-Love in this Club (Because there are more ridiculous places to fall in love. Modern AU)
-First Kisses
-Some Small, Uncharted Star (Elizabeth Bennet knows, of course, what attraction feels like.)

Mas ainda não era o suficiente. Então eu reassisti alguns episódios de The Lizzie Bennet Diaries, uma webseries na qual a Lizzie cria um canal no youtube para seu projeto de pós-graduação.
Inclusive, foi idealizado pelo Hank Green. Inclusive, ganhou prêmios. Porque é muito bom.


Mas aiNDA NÃO ERA O SUFICIENTE. Eu estava tão pilhada em Orgulho e Preconceito que sabia que qualquer coisa que tentasse escrever sairia como uma cópia de meia tigela, então reimaginei e escrevi de forma consciente para tirar do meu sistema. Jaqueline e Moura são os meus protagonistas, ele um cara que pulou direto da graduação para o doutorado e ela uma graduanda normal. Passei quase três semanas escrevendo, e não ficou nenhuma obra prima, mas foi um sentimento muito bom.

Responsabilidades me obrigaram a fazer um intervalo de vários dias entre o começo e o fim de Orgulho e Preconceito e Zumbis, que esperava ansiosamente assistir desde o lançamento em 2015. Tem zumbis! As Bennet são badass! O Matt Smith faz o Reverendo Collins!


Porém, fiquei bastante decepcionada com o filme. Não tenho nada contra os zumbis. Achei uma ideia hilária e fabulosa, e sinto que daria para fazer algo bastante incrível com o conceito. E eles se esforçam, chegando a desenvolver toda uma trama de guerra e ação e o eventual apocalipse, mas ao mesmo tempo foi tudo um pouco forçado e um pouco simples demais. Tudo bem, esse não foi o grande problema. Eu poderia ter ignorado se eles não tivessem entendido o relacionamento da Lizzie e do Darcy errado. Toda a graça do envolvimento dos dois é que o Darcy não percebe a acidez da Lizzie como a animosidade que é, e ele nunca é rude de propósito, com ela ou com qualquer um. Mas, no filme, os dois são francamente hostis um com o outro. É difícil entender como o Darcy poderia ter confundido aquilo como sinais de que era uma boa ideia pedi-la em casamento, e como a Lizzie poderia perceber que julgou-o mal.

Isso me deixou triste. Eu adoro o Sam Riley.


Depois de tudo isso, eu me acalmei. Um pouco.
Para terminar, fui na netflix procurar o que quer que pudesse encontrar. E encontrei Austenland.


Poxa, eu me identifiquei muito só de ver a capa.
É uma comédia romântica sobre uma moça aficionada por Jane Austen que vai para uma experiência de imersão que promete um amor como o dos livros. É engraçado e fofo e tem plot twists e me deixou muito contente, então recomendo.

Só faltou reler o livro. Talvez eu possa fazer isso mês que vem.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧ 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

sites úteis

A internet é um lugar muito grande. Ela é cheia de coisas inúteis, informações erradas e opiniões sem embasamento. Sem contar assustadora e perigosa, o que é comprovado por várias histórias reais aterrorizantes e por diversas histórias inventadas que mostram quão intimidadas as pessoas se sentem por seu potencial e amplitude.
Passados os avisos na bula. A internet também pode ser um lugar maravilhoso, e não só por causa das gifs de gatinho. Segue uma lista de recantos benignos da web:

lelivros - para baixar todos os livros que você quiser. não vou colocar link porque o domínio muda o tempo todo, é só jogar no google

duolingo - aprenda idiomas! (tem mais se você logar com inglês como a língua de base)

urban dictionary - para você não ter que perguntar para seus amigos o que aquela gíria significa nem precisar clicar no google imagens e ver coisas que nunca vai esquecer

knowyourmeme - uma enciclopédia de memes. importância óbvia

sinônimos - acho que internet inteira conhece esse site, mas ele me ajuda demais para ser ignorado

tunefind - aí você tá vendo uma série e toca uma música super legal, mas tem interferência demais para o shazam pegar. TUDO BEM, porque o tunefind tem tudo registrado por episódio

behindhtename - significado de nome é uma coisa muito importante pra mim. e esse site também tem gerador de nomes, além de pesquisa por significado

Bônus - o oposto de um site útil. Está tudo no nome:
www.theuselessweb.com

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

domingo, 24 de setembro de 2017

Leituras de Agosto

Eu não li muito nas férias. Minha amiga me emprestou o primeiro livro de uma trilogia ainda em junho, e eu só peguei para ler de verdade na véspera da volta às aulas, um pouco desinteressada. Tudo aconteceu a partir disso.
Li a trilogia inteira na primeira semana de agosto, e caramba, que sentimento bom. Fiquei animada para ler mais, e amigas dizendo que tinham lido 9 e 15 livros nas férias me motivou mais.
Agosto terminou depois de seis semanas e 47 dias inteirinhos. E eu li 15 livros. Cá estão eles.

1° - Corte de Espinhos e Rosas
2° - Corte de Névoa e Fúria
3° - Corte de Asas e Ruína



A trilogia que minha amiga me emprestou. O primeiro livro é um YA como qualquer outro, e o segundo é uma bola de ferro em todas as problemáticas que o primeiro parecia ter aceitado. Absolutamente maravilhoso. Fadas! Plot twists para todos os lados! Verossimilhança! Feminismo! Relacionamentos funcionais e baseados em amor e respeito! Eles são a única coisa que a autora e a protagonistas admitem, e isso é lindo.
(Um pouco explícito. O verso do segundo livro diz que é recomendado para maiores de 16 anos, e eu concordo. fica o aviso)
Atual fundo de tela de bloqueio do meu celular. Colocaria a imagem aqui, mas seria spoiler.
Coloquei a capa da versão americana do terceiro porque foi a que eu li, mas daqui a pouco vai lançar a versão traduzida.

4° - Six of Crows

Metáforas de corvos, um grupo de pessoas forçadas a se unir que torna-se uma família, ilegalidade, poderes especiais, sofrimento, caSAIS, um cara que tem absolutamente todas as características dos meus personagens preferidos menos a sentença de morte! É, não tinha como eu não gostar desse livro. É uma duologia e ainda não li o segundo, mas Vai Acontecer.

5° - Simon VS A Agenda Homo Sapiens


Reli porque não lembrava muito bem e queria estar preparada para a adaptação cinematográfica ano que vem. É a história de um menino gay que ainda está no armário e começa a ser chantageado por um colega de sala que vê os e-mails que ele troca anonimamente com outro garoto da escola. É um bom livro.

6° - A Traidora do Trono

ESSA SÉRIE É TÃO BOA! Já falei sobre o primeiro livro nesse post aqui, um ano atrás. Os dois são maravilhosos. Eu li o final na faculdade e queria gritar em tantos momentos e não podia por causa de convenções sociais. Foi dolorido.
Insurgência política no deserto e djinns. Por favor, leiam.

7° - Lembrança

Eu li a série da Mediadora com uns 11-12 anos, então fiquei muito animada quando esse livro lançou. Foi divertido, mas também me fez perceber que não tenho mais os mesmos gostos de quando tinha 12 anos. O que não significa que eu não recomende a série!

8° - Agência de investigações holísticas Dirk Gently


Eu vi a série e adorei, então senti que era minha obrigação ler o livro. Descobri que a única coisa em comum com a série é o personagem detetive chamado Dirk Gently, mas tudo bem. O livro, com sua própria história louca, é muito bom sem fazer a série ser ruim.

9° - A fúria e a aurora

A história das mil e uma noites focando mais em Sherazade e seu relacionamento com o rei que matava uma esposa por noite do que nas histórias. Muito bom. Eu estou sempre pronta para ler e amar histórias baseadas em lendas árabes e passadas em desertos, não sei se deu pra notar.

10° - Matilda

Um clássico! E agora eu sei porquê! Matilda é a maior leitora que você respeita, aos 6 anos ela já leu mais cânone literário do que eu.

11° - Captive Prince


Certo. Então. Eu via muitas coisas sobre essa série na internet, e decidi que queria saber do que se tratava.
O livro não é nada do que eu esperava baseado no que eu tinha visto.
Primeiro, é muito pesado. Tem escravidão, e boa parte da história acontece em um país muito sexualmente permissivo - e não da forma mais funcional ou fácil de imaginar e lidar. É um livro cruel. Foi uma leitura rápida, mas não fácil. Eu decidi ler os outros dois da trilogia só para saber como a autora ia tentar me fazer torcer e até aceitar aquele que eu sabia ser o casal principal depois de tudo aquilo.
(Ela conseguiu, o que não torna esse primeiro livro mais tragável, mas me faz recomendar que vocês leiam se tiverem maturidade para lidar com o que ele contém)
Eu li a série toda em inglês, mas o primeiro acabou de ser publicado em português com essa capa muito engraçada que não tem nada a ver com os acontecimentos desse livro.

12° - Queens of Geek

Eu li esse em inglês e acho que não tem tradução. É a história de três amigos em uma convenção nerd, e eu quis ler porque é sobre O Meu Povo. Tem toda a representatividade que você pode querer, e é super atual. Várias referências. Bem divertido.
 
13° - A Profecia das Sombras

O segundo da série das Provações de Apolo do Rick Riordan. Eu não sei porque ainda leio as coisas do Rick Riordan. Mas! Esse termina com o retorno de um personagem que foi negligenciado por muitos livros, e eu estou contente e de fato animada para o próximo, então taí uma boa mudança.

14° - O menino que desenhava monstros


Terror não é muito meu estilo de leitura, mas esse livro me interessou na primeira vez que o vi. É legal, mas serviu para eu ter certeza de que terror não é meu estilo. Foi como ler um filme.

15° - A rosa e a adaga


O segundo de A fúria e a aurora. Eu teria lido assim que terminei o primeiro, mas não estava conseguindo achar o livro. E tchraaam, é uma duologia! Esse é o último e tão legal quanto o primeiro.

Não sei se ficou claro, mas parte do objetivo das leituras era evitar tudo o que fosse séc XIX cânone literário estudado pelas academias. Foi uma experiência maravilhosa que recomendo.
(o post das leituras de setembro também está sendo elaborado, mas será mais comedido em matéria de quantidade de livros. acho. não garanto nada)

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

eu tenho muitos amigos???

Sou acusada disso às vezes. Nunca concordei ou pensei muito a respeito, mas um dia desses decidi que queria sair para usar um vestido novo. "Preciso ir reclamar sobre rolê com eles," concluí, mas, antes de pegar o celular para enviar minhas propostas, percebi que não sabia quem era o "eles".
Meus amigos do curso da faculdade? Mas qual deles, os mais próximos, ou o grupo mais geral, que inclui pessoas de outros cursos das quais nos tornamos amigos?
Meus amigos do ensino médio, com quem ainda mantenho contato frequente?
Meus amigos de vários lugares diferentes que acabaram se concentrando em torno de uma amiga em comum e que acabaram por formar um grupo próprio?
Fiquei absolutamente confusa e sem rumo. Todos os grupos têm suas vantagens e desvantagens, e gosto de todos. Inclusive, fiquei tão perdida que acabei não enviando nada para ninguém, e aí meus amigos do ônibus propuseram um rolê. Eu tinha até esquecido de considerar esse conjunto separado - mesmo porque muitos deles fazem parte de algum dos outros grupos citados acima. Daria pra fazer um belo de um diagrama de Venn com as minhas relações sociais.

(nossos diagramas de Venn são um círculo)
Eu nunca achei que teria algo assim. Amigos suficientes para ficar em dúvida.
O ensino fundamental não é uma época boa para ninguém. O meu não foi particularmente ruim, mas funcionava na base de uma contradição: eu não queria me importar com os outros, mas não conseguia evitar. Então fiquei tentando me convencer de que não fazia diferença que eu só tivesse 3 ou 4 amigas constantes e interações esparsas com outras pessoas da sala, mas a verdade é que me sentia invisível. Irrelevante e invisível.

As coisas começaram a mudar no nono ano. O mapa de sala me colocou perto de uma das minhas amigas e de um menino que começou a fazer um hábito de conversar conosco. Logo estávamos falando com a namorada dele também, e os amigos deles, e eu senti um pouco menos como se não pudesse me aproximar quando havia um grupo de pessoas reunidas.
Muitas pessoas entraram na sala no primeiro ano médio - a classe mal comportava os 42 alunos -, e uniforme não era mais uma exigência, e de repente era possível ter um fiapo de personalidade. Parecer um pouco mais do que uma sombra apagada de cabelo ocasionalmente colorido e pulseiras de couro, entre toda aquela gente nova que não sabia que minhas amigas e eu não éramos convidadas para as festas porque os outros pensavam que contaríamos qualquer transgressão para o diretor.

E, de alguma forma, lá estávamos. De um grupo de quatro pessoas, de repente formávamos uma roda de tamanho considerável na hora do intervalo. E o conteúdo da roda mudou ao longo dos três anos do ensino médio, sem nunca alterar os quatro elementos básicos, mas de repente, no terceiro ano, os nerds eram um terço da sala inteira, e nem todas as pessoas do grupo eram nerds. Era só um grupo de amigos que por acaso incluía todas as pessoas que tiravam as maiores notas.

Faz dois anos que nos formamos. Nunca conseguimos fazer um rolê com a presença de 100% de nós, mas o grupo ainda não caiu aos pedaços. Algumas pessoas se distanciaram mais do que outras, mas acho que estamos indo bem. Ajuda o fato de que 5 de nós estamos na mesma universidade.

Então, é. Eu já tinha esse grupo razoavelmente numeroso. Aí cheguei na faculdade, inédita ao absoluto, com uma base de apoio garantida e todo um curso de pessoas que entendiam as minhas referências. Depois de uma timidez inicial, não tive problemas em criar amizades dentro da minha sala, e eventualmente de forma mais generalizada no instituto.
Meus amigos antigos me apresentaram aos seus novos amigos conforme eu apresentava os meus. De repente era difícil encontrar uma mesa no restaurante universitário onde coubesse todo mundo.

Enquanto isso, na minha cidade natal, eu passava a conhecer os outros amigos próximos de uma amiga próxima, e percebemos que nossas personalidades eram compatíveis para funcionar como uma unidade.

Avancei de forma lenta e hesitante em direção a um contato com as relações já estabelecida no ônibus, mas tudo acabou dando certo.

E tudo isso culminou em uma extensa rede, senão de amizades, pelo menos de conhecidos amigáveis. Eu encontro pessoas em todos os lugares e quase sempre paro para trocar algumas palavras com elas. Abri um arquivo do Word e anotei 30 nomes, um pra cada pessoa com quem interagi hoje - desconsiderando o whatsapp. Foi um dia particularmente movimentado, o que não é sinônimo de incomum. Nesse semestre, esse tipo de dia tem acontecido algo como uma vez por semana.
É divertido e insano. Chego em casa exausta, a, a socialização cobrando seu preço como se eu tivesse tido 12 horas direto de aula. Mas sabe, nunca achei que algo assim poderia acontecer, nunca nem imaginei.
Não tinha sonhos de popularidade; o que eu sempre quis foi sentir que tinha o direito de me aproximar. Sempre foi um problema mais meu do que do ambiente - mesmo que ensino fundamental, com sua mentalidade de filmes de ensino médio americano, não tenha ajudado. Mas eu acho que está passando, agora.

Acho que eu talvez tenha muitos amigos.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Rainbow Rowell sabe muitas coisas

Rainbow Rowell escreve de forma muito especial. Quando eu termino um livro dela, minha vontade não é de fechar as páginas, mas sim de voltar para a primeira e começar tudo de novo.
Para mim, a palavra que melhor descreve a literatura de Rainbow Rowell é deleite. Honestamente, é a primeira palavra que vem na minha cabeça.

Ela tem 5 livros publicados no Brasil - Fangirl, Eleanor e Park, Ligações, Anexos e Carry On - dos quais só não li Ligações. Terminei Carry On recentemente, depois de quase um ano de construção de expectativa. Li no inglês original, que é ainda mais deleitoso que a tradução (que já é esplêndida) (dá para perceber meu contentamento com os livros pelos adjetivos que estou usando).

A escrita dela é leve. Parágrafos curtos, frequentemente de uma linha. Imagens poéticas. A construção imagética dela é incrível. Ela não descreve diretamente, mas fornece os elementos-chave de cada ambiente e personagem de forma tão precisa que, a partir daquele detalhe, dá pra delinear a cena inteira.

Algumas interações e cenas parecem absolutamente descartáveis para o enredo e provocam aquele sentimento de coisa inventada, até que você percebe que a vida real está cheia de momentos surreais e desnecessários. E os livros dela estão cheios de vida real. O diálogo é impressionante por sua naturalidade, por como ela consegue fazer personagens soarem como pessoas de verdade. Linguagem casual, temática esparsa. É como a transcrição de uma conversa entreouvida na rua, como se Rainbow Rowell passeasse por aí anotando situações enquanto elas se desenrolam.
Nem tudo na vida real é enredo. Nem toda conversa faz sentido. Ela sabe disso. É um segredo precioso.

Rainbow Rowell escreve histórias de amor, mas poderia escrever qualquer coisa. Ela desenvolveu toda uma técnica para chegar no coração de quem lê, e a técnica é boa. Alguns de seus livros funcionam muito bem como wish-fullfilment - ela faz com que eu me sinta lendo fanfic, no significado mais refinado e positivo que pode ser atribuído ao gênero, a fanfic que completa todos os buracos que a história original deixou em você- , mas outros te transformam em uma massa de carne e soluços. Ela chega no seu coração, mas nem sempre para apaziguá-lo, porque escreve sobre a vida e sabe que nem tudo é um grande final feliz. Mesmo em Carry On, onde brinca com um mundo mágico e com o modelo padrão de histórias sobre o Escolhido, as relações humanas são dolorosamente reais. O que significa que nem todo mundo sai feliz, e que tudo bem.
Ela escreve sobre amor, mas nem todo amor é bom e nem todo amor funciona e perdura, e ela não mente para poupar o leitor.

A escrita dela é como comer algodão doce. Tem tons pastéis e derrete na boca e gruda no nariz e isso faz você dar risadinhas ao invés de te irritar.
A escrita dela também é como uma faca bem entre as costelas. Sem piedade.
É uma mistura fascinante.

Não vou me exaltar e dizer que Rainbow Rowell sabe escrever, porque escrever é uma coisa tempestuosa e instável e não funciona todos os dias e eu não faria uma declaração tão ousada. Mas Rainbow Rowell sabe muitas coisas.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧ 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"resenha" sobre Aristóteles e Dante

Eu prometi uma resenha de Aristóteles e Dante Descobrem Os Segredos do Universo, mas não tenho maturidade para fazer uma crítica ou uma análise objetiva. Então vou fazer o que consigo, que é balbuciar de forma pouco coerente e apaixonada.

Têm alguns livros que você quer que todo mundo leia. Livros YA (nomeados pela faixa etária que pretendem atingir, Young Adult) costumam ser assim. Depois de terminar Jogos Vorazes, você quer que outras pessoas leiam para poder falar a respeito, mandar mensagens em caps lock, possivelmente gritar de forma histérica.
Agora, algumas vezes, acontece uma coisa diferente. Você lê um livro que se aloja muito perto do seu coração, sente as palavras se entranhando na sua cabeça e ressoando nas suas costelas e tudo o que você é canta de volta. Esse não é o tipo de acontecimento sobre o qual se grita, é o tema de conversas sussurradas, de adjetivos curtos e dramáticos.
Eu não consigo gritar sobre Aristóteles e Dante Descobrem Os Segredos do Universo.


"Eu quero ler, mas tenho medo," uma amiga me disse outro dia. "Porque eu já vi gente que amou e gente que odiou."
"Se você não gostar, não me conta," respondi.
Não li críticas sobre o livro, então não sabia que algumas pessoas tinham odiado. Fiquei curiosa para saber com base no que justificam esse ódio, mas não consigo me fazer procurar. Acho que doeria.
(Tem um anime chamado Hyouka que é outra coisa sobre a qual não consigo gritar. As opiniões sobre ele são sempre bastante drásticas - ou aversão total, ou afeição que queima. Fico na segunda metade, mas compreendo porque é possível ter outra opinião. O problema com Aristóteles e Dante é que não consigo começar a imaginar motivos para não gostar do livro, porque imagino que seja tudo o que me faz amá-lo.)

Nunca fui do tipo que escreve em livros. Meus pais sim, mas eu sempre tive uma reverência que me impedia de sequer considerar aproximar um lápis de um livro. Não conseguia entender porque era preciso rabiscar o livro quando existe a possibilidade de copiar as frases boas em outro suporte.
Minha primeira leitura de Aristóteles e Dante foi em formato digital. Logo depois que terminei, saí em uma missão de busca por uma cópia física, porque eu precisava segurar aquelas palavras nas mãos e passar os dedos pela tinta e aproximar o livro do rosto. Quando consegui, cheguei em casa, selecionei meu lápis mais bonito, novo, que ainda não tinha tido coragem de usar. Sentei na poltrona. Pouquíssimas páginas escaparam de alguma interferência, e é mais raro achar uma frase limpa do que sublinhada.
Não me senti culpada.

O livro é construído em frases curtas, metáforas dolorosas, emoção crua e poesia. Não poesia versada; simplesmente poesia.


Aristóteles Mendoza não sabe lidar com ter 15 anos. Eu também não soube. Quando li o livro, aos 17, ainda não sabia. Agora, aos 19, continuo sem saber. Isso com certeza é parte do motivo pelo qual o livro faz tanto sentido pra mim.


Ari tem 15 anos, nenhum amigo, uma sombra de irmão mais velho que o acompanha para todos os lugares. Ari sente tédio, raiva e tristeza. Ele acumula silêncios. Vazios. E então, em um dia das férias de verão, ele conhece Dante, uma daquelas pessoas mágicas que, mesmo sem ter ideia do que está fazendo com a própria vida, consegue nos fazer ver um caminho para fora da nossa própria bagunça.
É uma história sobre amadurecimento e sobre se tornar quem você é, sobre solidão e sobre falar sem conversar, sobre aprender a deixar o mundo entrar na sua conchinha. É uma história de amor, tantos, tantos, tantos tipos de amor. Ari, como seu xará da Antiguidade, quer conhecer os segredos do universo; e o universo é muito mais do que essa massa misteriosa de espaço, tempo e matéria escura.

Esse livro me faz chorar e rir em igual medida. Eu sinto que nunca paro de lê-lo, mesmo quando está na estante. Você devia ler também. Mas, se não gostar, por favor não me conte.

(ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧

p.s. prepare-se para ter muitos sentimentos sobre passarinhos e chuva. principalmente chuva.